Na calada da noite saí para procurar por mim mesma. Passei por entre rosas e espinhos e nada encontrei. Subi e desci montes. Escalei muralhas e voei como pássaro para nada encontrar. Quando me diziam: “veja lá ou acolá”, eu ia e não me via.
Foi quando avistei um artista pintando sua tela. Cheguei pertinho e me vi ali, misturada em suas tintas. Eu era todas as cores, todas as flores, todos os movimentos de vai e vem de seu pincel.
A mulher que ele pintava entre as flores era a imagem do meu espírito que posava para ele fazia horas e que ele pensava se tratar de uma mulher de carne e osso que andava pelo campo e que o inspirou naquele momento.
Quando o artista deu a última pincelada na tela, compreendi então que a tela, as tintas, o artista e eu somos fragmentos de uma mesma alma.
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