De repente me lembrei da menina que fui um dia e, ao me lembrar dela, me transformei numa nova mulher.
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sexta-feira, 27 de maio de 2016
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Zeus
O nome dele era Zeus. Ele chegou num momento da minha vida
em que tudo estava confuso e dolorido. Era o início do caos. Eu, naquele
momento não imaginava o que estava por vir e, se tivesse tido um pequeno
vislumbre do que iria passar não conseguiria acreditar que teria a força que
tive para superar todo sofrimento que passei. Ele esteve ao meu lado nesses
quatro anos.
Quando ele chegou o peguei pela janela do meu quarto para
que os cachorros não o vissem. O pobrezinho estava tão assustado e se enfiou rapidamente
debaixo da minha cama. Eu respeitei o seu tempo e o deixei ali, quietinho. Eu
sabia que assim que ele estivesse pronto faria contato comigo. Algumas horas
depois Zeus saiu debaixo da cama e foi até a sala, me olhou nos olhos, miou todo
carinhoso e nos amamos desde então. Naquele momento aconteceu um encontro de
almas, embora de espécies diferentes. A minha cama passou a ser dele também.
Ele sempre dormia na minha cabeça ou aconchegado no meu pescoço. Era um amor
mútuo incondicional e transcendental.
Nós compreendíamos um ao outro, sentíamos um ao outro. Uma
noite acordei com principio de ataque de pânico e meu coração batia acelerado e
a dor no peito era grande. Zeus, que estava dormindo enfiadinho no meu pescoço,
imediatamente acordou e colocou a sua pata no meu peito, no chakra cardíaco e a manteve ali, fazendo pressão até a dor e a taquicardia passarem. Então
ele retirou sua pata e voltou a dormir.
Zeus esteve ao meu lado nos piores quatro anos da minha
vida. Passei por muita dor, uma dor visceral, uma dor profunda na alma, mas
também recebi muito amor desse serzinho.
Ele passou quatro anos dentro de casa comigo. Depois de exatos quatro
anos, me mudei novamente para outra casa e foi nessa casa que a dor começou a
passar e as nuvens negras dissiparam. Não tive coragem de prendê-lo e o deixei
livre para ir e vir. A alegria dele de ter contato com o mundo exterior era tão
grande e isso me deixava feliz. Ele não parava mais em casa, mas estava sempre
por perto. Ele estava muito feliz com a sua liberdade e era muito gratificante
ver essa felicidade toda em seus enormes olhos laranjas. Gostava de passear
pelo telhado e arranhava a janela do meu quarto quando queria entrar.
Uma noite ele resolveu ficar comigo. Dormimos juntinhos
abraçadinhos como há muito tempo não fazíamos e eu soube naquele momento que
seria a última vez que dormiríamos juntos.
No dia seguinte ele ainda ficou comigo o dia todo, comeu,
dormiu até o cair da noite e então resolveu sair novamente. Já era tarde da
noite e eu estava deitada no sofá ouvindo música como de praxe quando ouvi um
barulho no telhado. Era um barulho de alguém caminhando com pisadas
leves. As pisadas continuaram e, de repente, pararam de uma forma estranha. A
impressão não era de algo ou alguém descendo o telhado, mas como se tivesse
levantado voo. Nesse momento eu soube que nunca mais o veria.
Acredito em anjos e acredito que eles se materializam de
várias formas, dependendo da situação de cada humano. A maneira que meu anjo
encontrou de ficar próximo a mim foi em forma de gato.
O meu anjo ficou fisicamente comigo por quatro anos, até eu
ficar bem e voltou para o céu.
Sempre que ouço um barulho na janela do meu quarto acho que
é ele voltando pra mim. Mas a verdade é que ele nunca me deixou.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
My Funny Valentine
Não tem coisa mais emocionante e gratificante do que ver meus
cinco animais (uma cadela e quatro felinos) deitados cada um num canto, sob a
luz vermelha da minha sala de estar (não, não sou puta e nem minha casa é um
bordel. Apenas gosto da combinação jazz-vinho-luz vermelha) ouvindo Miles Davis.
Eu gostaria de poder fotografar essa cena, mas, na falta de uma boa câmera,
esse registro vai ter que criar raízes em minha mente.
Esse é apenas um dos meus momentos cotidianos sofisticados. Não
sou rica, a minha conta bancária tá mais vermelha do que a luz da minha sala,
mas devo modestamente afirmar que sou uma mulher de gosto muito refinado. Não pra
roupas, sapatos, bolsas, joias! Sou uma mulher de abstratos: música, luz,
penumbra, perfume, vinho e uma boa conversa. Posso dizer com um certo orgulho e
satisfação e sem o menor traço de arrogância que ninguém que tenha adentrado o
meu lar, sentado à minha mesa, se esquecerá dos momentos sofisticados e extasiantes
vividos na minha pequena e velha casa de madeira, praticamente uma choupana,
nevando cupim por todo lado. Minha casinha tem luz vermelha na sala, troncos de
árvore sustentando-a por dentro e janelas que mostram o mar e sua espuma se
espalhando pela areia. Na minha casinha se ouve boa música e o som do mar. Aqui
você nunca vai encontrar alguém que seja menos que apaixonante. A risada é
garantida, e também as conversas com a profundeza do mar.
Na terra de Gonçalves Dias tem palmeiras, na minha tem
gatos, cachorro e areia. Tenho certeza que as aves que aqui gorjeiam, o fazem
muito mais bonito do que as aves de lá. Sou muito feliz na terra onde fica a
minha casinha sofisticada. Na verdade, todas as casinhas em que vivi depois que
saí da casa dos meus pais foram sofisticadas. Talvez seja a convivência comigo,
risos.
Agora estamos ouvindo Chet Baker. Os cinco já mudaram de
canto, mas continuam quase que imperceptíveis sentindo a magia sofisticada do
jazz.
Eu não trocaria a minha vida sofisticada pela vida
entediante de um milionário qualquer.
terça-feira, 10 de junho de 2014
QUERO CRER EM GNOMOS!
Ontem à noite achei ter visto um gnomo. Estava eu tranquila,
preparando minhas aulas quando de repente, muito rapidamente vejo uma carinha
saindo de trás do sofá. Quando olhei, se escondeu. Pensei ca comigo mesma: moro
na ilha da magia, lugar de histórias e lendas, portanto, espero do fundo do
coração que a carinha que acabei de ver seja de um gnomo (estava desde ontem
repetindo pra mim mesma: Sim! Eles existem! Gnomos existem!). Tentei de coração
exercitar o poder da fé. Esforço em vão.
Agora a pouco, na mesma situação de ontem, preparando minhas
aulas tranquilamente quando de repente, o “gnomo” amigo se manifestou e tentou
fazer contato comigo. Subiu no meu colo sem cerimônia nenhuma e foi quando veio
a grande decepção (talvez um pouco de desespero): o gnominho tem um rabinho e
orelhinhas muito fofas. Imediatamente me veio como fundo musical a canção “Ben”
do Michael Jackson.
Vou interromper o meu trabalho temporariamente para ir
comprar uma ratoeira.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
Smile!
Ser jovem não é sair por aí depois de certa idade fazendo coisas típicas de um ser humano no começo de sua vida. Ser jovem independe de idade. É amar sem medo, viver sem medo. É acordar e adormecer com um sorriso estampado no rosto. Sorrir nos torna livres, leves e jovens.
Sorria mais. Sorria sempre!
Sorria mais. Sorria sempre!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Idas e Vindas
Todos nós vamos partir um dia, isso é fato. Uns mais cedo
outros mais tarde, mas todos no momento certo.
Se por acaso alguém partir antes, não fique triste. Sorria,
agradeça por ter feito parte de sua vida e diga “até qualquer hora”, pois,
quando chegar nossa hora não vamos querer partir na tristeza.
Alegria gera alegria, para quem parte e para quem fica.
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